Estou bastante estressada com a quantidade de coisas que tenho pra fazer, e de assuntos cotidianos a tratar. As pessoas em geral me consideram esforçada, mas não sou bem assim… digamos que é um grande esforço ter que me esforçar.
[Sei que isso não justifica a ausência de quase 3 meses, mas whatever]
Uma das minhas principais distrações ultimamente tem sido os livros do Haruki Murakami. O cara escreve muito.

No começo deste ano, li o “Kafka à beira-mar” e gostei da estranheza e das coisas WTF que iam ocorrendo conforme a trama avançava. Pelo que me lembro, a escrita me soava um pouco mecânica demais, talvez um problema de tradução/adaptação, mas enfim. O final sem maiores explicações também me desagradou na época. Mas agora que já li outros três livros do autor, e estou no meio de outro, acho que compreendo melhor a genialidade do Murakami.
Apesar de todos estes problemas, eu me diverti enormemente lendo o Kafka. Os personagens são carismáticos e inusitados, e você sempre quer saber o que vai acontecer em seguida — o nível de bizarrice é tamanho que é praticamente impossível descobrir o que vai rolar em seguida.
O livro é gigante, bastante denso. Oshima, o bibliotecário (que sempre acabo imaginando como uma versão nipo do Cillian Murphy, hehe) e Nakata, o velhinho excêntrico foram meus personagens preferidos. As inúmeras referências a coisas modernas e pop (tipo… camisa Adidas) me desconcentraram em um primeiro momento, talvez porque eu não esteja muito acostumada com algo contemporâneo desse jeito (paciência comigo plis).
Após uns oito meses, peguei outro livro do Murakami para ler: “Norwegian Wood”, sua obra mais famosa, embora ela fuja de seu estilo imaginativo e surreal. Trata-se de um retrato com traços autobiográficos a respeito do final dos anos 60, seguindo a vida de Toru Watanabe, um cara de 20 anos, perdidão no meio de toda a angústia da época e de seus próprios conflitos pessoais.
O livro contém inúmeras referências à (boa) música, como costuma acontecer nos romances do Murakami. Apesar de ser um livro mais pé no chão, considero “Norwegian Wood” uma obra criativa e bonita. Não quero me aprofundar em nenhuma discussão quanto às questões dos livros, mas é interessante e frustrante o modo como o personagem principal é afetado por todas aquelas figuras excêntricas ao seu redor, e como ele parece apenas gravitar entre elas, especialmente as duas principais mocinhas do livro, seguindo a corrente. Aliás, a Midori é uma figura de muita personalidade, gostei dela! Uma adaptação cinematográfica está sendo preparada, e vai ter Kenichi Matsuyama (O “L” nos filmes do Death Note) como o Watanabe, Rinko Kikuchi (Chieko, a garota surda-muda do filme Babel) como a Naoko e a Kiko Mizuhara como a Midori. Só espero que não estraguem tudo.
“Após o Anoitecer” é um livro mais pé no chão também, mas com uma certa dose de surrealismo. A história básica é banal; trata-se dos encontros e desencontros entre certos personagens em uma noite e cada capítulo equivale a um certo horário, que avança até o amanhecer conforme a passagem das páginas. Mesmo assim, é um livro bastante divertido e rápido de se ler.
Esse foi o livro dele que realmente devorei. Não conseguia largá-lo, até mesmo no dia em que fui fazer o bendito Enade e minha prova atrasou (muito provavelmente porque o lugar era tão impossível de se achar que os caras com as provas devem ter se perdido no caminho, ANYWAY).
Os principais elementos Murakami estão lá; apesar de eu já ter considerado o “Norwegian Wood” um livro muito bom mesmo, foi com este aqui que realmente me dei conta de que curto muito o estilo do escritor. Em outras palavras, me tornei uma fã descarada.
Por fim, “Minha Querida Sputnik”; basicamente, é uma história de amor. Não tão simples assim, claro, como o próprio primeiro parágrafo do livro já indica… bom, temos uma protagonista muito excêntrica, um narrador com um pouco mais de força de vontade do que o cara de “Norwegian Wood” e uma mulher misteriosa e atraente. Não sei como explicar, é um livro típico do Murakami, mas ainda assim, diferente. Todos os livros dele têm muitas, muitas coisas em comum entre si, mas ainda assim não consigo enjoar ou achar tudo igual. Ele é um excelente escritor mesmo.
E também achei legal o projeto gráfico das capas da Alfaguara, que formam uma coleçãozinha bonitinha. Claro que eu digo isso porque sou maníaca por coisas combinando e coleções. ANYWAY.
De outra editora, no Brasil também há outros dois livros dele publicados; estou no meio de “Caçando Carneiros” e já tenho o “Dance Dance Dance” pra ler logo em seguida. O que vai ser de mim quando esgotar Murakamis na minha estante?! Não quero nem pensar nisso…




